Análise Comparativa entre o Produto Harmonyca™ e a Mistura Manual de Ácido Hialurônico e Hidroxiapatita de Cálcio Na Harmonização Facial
HarmonyCa™ ou mistura manual? Analise as diferenças técnicas, segurança e carga bioestimuladora entre o preenchedor híbrido e o preparo artesanal de AH e CaHA.
O envelhecimento facial é um processo multifatorial que compromete a integridade das camadas óssea, muscular, adiposa e dérmica, resultando em perda de volume e redução da elasticidade cutânea. Com o avanço da Harmonização Facial, a busca por resultados que combinem o efeito de volumização imediata do ácido hialurônico (AH) com a durabilidade bioestimuladora da hidroxiapatita de cálcio (CaHA) tornou-se uma tendência clínica.
Nesse cenário, surge o HarmonyCa™, um preenchedor híbrido industrializado que entrega uma formulação estável e previsível. Contudo, impulsionados pela busca por redução de custos, muitos profissionais têm optado pela prática da “mistura manual” desses componentes em ambiente de consultório. Essa abordagem levanta questionamentos cruciais sobre padronização reológica, segurança técnica e respaldo regulatório.
O presente estudo, desenvolvido por Meibi Christiane Martins da Silva como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da Especialização em Harmonização Orofacial do Instituto Velasco, propõe uma análise comparativa rigorosa entre o produto industrializado e a manipulação artesanal. Através de uma revisão bibliográfica qualificada, o texto confronta eficácia, segurança, carga bioestimuladora e implicações éticas. O objetivo é oferecer ao profissional uma visão fundamentada que auxilie na tomada de decisão, priorizando a segurança do paciente e a previsibilidade, elementos que definem a excelência na Harmonização Facial contemporânea.
O envelhecimento facial é um processo inevitável, progressivo e multifatorial, que envolve alterações estruturais nas camadas óssea, muscular, adiposa e dérmica. A perda de volume e a flacidez cutânea são alguns dos sinais mais evidentes, frequentemente tratados com procedimentos minimamente invasivos, como o uso de preenchedores dérmicos. Nesse contexto, destacam-se dois compostos amplamente utilizados: o ácido hialurônico (AH), conhecido por sua capacidade de promover hidratação e volume imediato, e a hidroxiapatita de cálcio (CaHA), reconhecida por seu efeito bioestimulador na produção de colágeno.
Com o avanço da tecnologia e a crescente demanda por procedimentos seguros e com resultados naturais, surgiram produtos híbridos que combinam esses dois componentes em formulações únicas. Um exemplo é o HarmonyCa™, um preenchedor regulamentado, que associa AH e CaHA em uma matriz estável, visando proporcionar efeito lifting imediato e melhora progressiva da firmeza e espessura dérmica.
Paralelamente, alguns profissionais têm adotado uma prática alternativa: a mistura manual de AH com CaHA, feita manualmente em consultório com o intuito de reproduzir os efeitos do produto híbrido. Essa abordagem, no entanto, carece de padronização, segurança comprovada e respaldo legal.
Diante disso, torna-se relevante investigar e comparar essas duas práticas. Este trabalho tem como objetivo analisar, por meio de revisão bibliográfica, as principais evidências científicas disponíveis sobre o uso do HarmonyCa™ em contraste com a mistura manual, levando em consideração aspectos como eficácia clínica, segurança, custo, padronização técnica, respaldo regulatório e implicações éticas.
2. Revisão de Literatura
2.1 Preenchedores Dérmicos e o Envelhecimento Facial
O envelhecimento facial é um processo multifatorial, progressivo e tridimensional, envolvendo alterações nas camadas óssea, muscular, adiposa e dérmica. Dentre as estratégias para o rejuvenescimento não cirúrgico, os preenchedores dérmicos se destacam por oferecerem resultados imediatos, minimamente invasivos e com tempo de recuperação reduzido.
Os preenchedores mais utilizados na prática clínica são o ácido hialurônico (AH) e a hidroxiapatita de cálcio (CaHA). O AH é valorizado por sua capacidade de atrair água, restaurar volume e melhorar a hidratação da pele. Já o CaHA atua como bioestimulador dérmico, promovendo a produção de colágeno e a firmeza tecidual ao longo do tempo.
2.2 Ácido Hialurônico: Estrutura, Aplicações e Evidências Científicas.
O ácido hialurônico (AH) é um polissacarídeo natural da matriz extracelular, composto por unidades repetitivas de ácido glucurônico e N-acetilglucosamina. Sua estrutura química confere alta capacidade de retenção hídrica, podendo absorver até mil vezes seu peso em água, o que o torna essencial para a hidratação e elasticidade da pele.
Do ponto de vista estético, os preenchedores à base de AH são considerados o padrão-ouro para procedimentos de volumização facial, devido à sua biocompatibilidade, biodegradabilidade e à possibilidade de reversão com o uso de hialuronidase. Essas características tornam o AH um dos materiais mais seguros para preenchimento dérmico, sendo indicado para a correção de sulcos, contorno facial e hidratação profunda da pele.
Além de seu efeito imediato de volumização, há evidências de que o ácido hialurônico reticulado pode estimular a síntese de colágeno em determinadas condições clínicas, contribuindo para a melhora da qualidade da pele ao longo do tempo. Estudos como o de Brennan et al. (2022) também demonstram a eficácia do AH na elevação e reposição de volume em áreas como malar, mandíbula e sulcos nasogenianos, com excelente aceitação por parte dos pacientes.
Segundo Fakih-Gomez e Kadouch (2022), a utilização de ácido hialurônico com alta densidade e propriedades viscoelásticas bem definidas permite resultados estáveis e esteticamente satisfatórios em tratamentos minimamente invasivos de rejuvenescimento facial.
No que se refere à segurança, os estudos de Signorini et al. (2016) e De Boulle e Heydenrych (2015) destacam que as complicações associadas ao AH são raras e, quando ocorrem, geralmente são leves e reversíveis, reforçando o excelente perfil de segurança deste biomaterial.
Dessa forma, o ácido hialurônico permanece como o principal agente utilizado em preenchimentos faciais, não apenas por sua eficácia estética imediata, mas também pela sua segurança, versatilidade e respaldo científico sólido.
Sua principal aplicação em estética facial é a restauração de volume, correção de sulcos e hidratação profunda da pele. Por ser biocompatível, biodegradável e reversível (com uso de hialuronidase), o AH é considerado um dos materiais mais seguros para preenchimento facial.
2.3 Hidroxiapatita de Cálcio: Mecanismo de Bioestimulação e Uso em Procedimentos Estéticos
A hidroxiapatita de cálcio é composta por microesferas sintéticas de fosfato e cálcio suspensas em gel carreador (geralmente carboximetilcelulose). Após a injeção, o gel é absorvido e as microesferas permanecem no local, induzindo a neocolagênese – processo de formação de colágeno novo ao redor das partículas. Este processo confere ao CaHA propriedades bioestimuladoras de médio a longo prazo, tornando-o útil para melhora da flacidez cutânea, contorno facial e qualidade da pele. A literatura descreve que o CaHA, por meio da estimulação de fibroblastos, promove a produção de colágeno e firmeza cutânea de forma mais prolongada que o ácido hialurônico isolado (Yag-Howard; Denigris, 2021).
Por sua composição semelhante à do tecido ósseo humano, apresenta excelente biocompatibilidade e baixo potencial imunogênico (RHEINWALD; GREEN, 2003).
Inicialmente empregada em áreas como ortopedia e odontologia, a CaHA foi adaptada para fins estéticos devido à sua capacidade de promover volume imediato e bioestimulação do colágeno a longo prazo (BEASLEY et al., 2009). Estudos clínicos demonstram que, além do efeito preenchedor, a hidroxiapatita estimula a neocolagênese, resultando em uma melhora progressiva da qualidade da pele (GOLD, 2007; SADICK, 2011).
Apesar de seus benefícios, o uso da hidroxiapatita requer domínio técnico, especialmente em regiões de risco vascular, devido à sua viscosidade elevada e potencial para obstruções vasculares se administrada de forma inadequada (KOLODZIEJCZAK; KAMINSKI, 2017). Assim, é fundamental que os profissionais estejam bem treinados e sigam protocolos seguros de aplicação.
Em suma, a hidroxiapatita de cálcio representa uma alternativa versátil e eficaz para o preenchimento dérmico, oferecendo vantagens como durabilidade e efeito bioestimulador.
2.4 – HarmonyCa™: Um Preenchedor Híbrido Padronizado
O processo de envelhecimento facial envolve mudanças estruturais em múltiplas camadas da face, incluindo a reabsorção óssea, a redistribuição dos compartimentos de gordura e a perda da elasticidade cutânea. Tais transformações resultam em flacidez, perda de volume e alterações no contorno facial, motivando o desenvolvimento de novos biomateriais injetáveis capazes de atuar de maneira simultânea em mais de um desses aspectos (Braz et al., 2024).
Dentre as tecnologias emergentes, destaca-se o HarmonyCa™, um preenchedor híbrido composto por ácido hialurônico (AH) reticulado e microesferas de hidroxiapatita de cálcio (CaHA), associados à lidocaína a 0,3%. Sua formulação pronta para uso reúne os benefícios imediatos do AH – como hidratação, volume e efeito lifting – com o estímulo bioestimulador do CaHA, promovendo neocolagênese e melhora sustentada da qualidade dérmica (Braz et al., 2024).
Estudos clínicos demonstram que o HarmonyCa™ promove aumento estatisticamente significativo da espessura dérmica a partir de 90 dias após a aplicação, com manutenção dos resultados por pelo menos 6 meses (Bravo et al., 2023). A análise ultrassonográfica revelou aumento progressivo da espessura dérmica (de 1,47 mm para 1,68 mm em 120 dias), além de melhora perceptível do contorno facial em imagens 3D (Bravo et al., 2023).
O protocolo de aplicação geralmente envolve o uso de cânula 22G e técnica de leque ou rosqueamento linear retrógrado na camada subcutânea, especialmente nas regiões malar, mandibular, submalar e pré-auricular (Braz et al., 2024). A média de volume utilizada por hemiface varia entre 1,25 mL e 2,5 mL, conforme as necessidades individuais de contorno e flacidez (Proietti et al., 2024).
Estudos multicêntricos e retrospectivos confirmaram o perfil de segurança do produto, com baixo índice de eventos adversos, todos leves e autolimitados, como eritema e edema transitórios (Braz et al., 2024). Além disso, os dados sugerem que o HarmonyCa™ é compatível com outros procedimentos estéticos, como toxina botulínica, laser e outros preenchedores (Proietti et al., 2024).
Uma característica distintiva do HarmonyCa™ é seu efeito dinâmico: estudos com análise fotográfica em repouso e movimento (ex.: sorriso e flexão da cabeça) mostraram que os efeitos estéticos são mantidos mesmo durante expressões faciais, o que reforça seu potencial em manter a naturalidade na mímica (Proietti et al., 2024).
Dessa forma, o HarmonyCa™ representa uma inovação relevante no arsenal terapêutico da harmonização facial, unindo praticidade, resultados imediatos e melhora progressiva da qualidade da pele, o que contribui para altos índices de satisfação dos pacientes e sustentabilidade clínica dos efeitos obtidos (Kus & Guduk, 2024).
2.5 Mistura manual de AH + CaHA: Prática Off-label
A chamada “mistura manual” envolve a combinação, fora da indústria, de um preenchedor de AH com outro de CaHA por meio de seringas conectadas por adaptadores tipo LuerLock. O objetivo é obter os benefícios do volume imediato com o AH e da bioestimulação com o CaHA, em uma única aplicação.
Em 2019, Amir Moradi e sua equipe conduziram um estudo sobre técnicas de preenchimento mandibular utilizando hidroxiapatita de cálcio e ácido hialurônico com alta reticulação. Os pesquisadores observaram que a aplicação de pequenos volumes por ponto de injeção proporcionou resultados com aparência natural e reduziu o risco de efeitos adversos. Além disso, concluíram que a combinação desses dois materiais representa uma abordagem eficaz para a redefinição do contorno e ângulo mandibular.
No ano seguinte, Chang e colaboradores (2020) investigaram os efeitos de uma formulação composta por 1,0 mL de ácido hialurônico, 0,5 mL de lidocaína e 1,5 mL de hidroxiapatita de cálcio em 25 pacientes. Para avaliação dos resultados, foram utilizadas tanto uma escala visual analógica quanto uma escala de satisfação global de cinco pontos, permitindo análises objetivas e subjetivas. Em um subgrupo de participantes, foi realizada uma análise histológica com a aplicação de 0,1 mL da mistura em uma área pós-auricular e 0,1 mL de hidroxiapatita de cálcio isolada na região oposta. Após seis meses, a análise das biópsias demonstrou aumento nos feixes de colágeno dérmico sem presença de inflamação. Os escores médios nas avaliações das rugas permaneceram acima do nível “regular” em todos os momentos de acompanhamento, tanto em curto quanto em longo prazo.
Segundo Yag-Howard e DeNigris (2021), a mistura HA–CaHA resulta em um composto homogêneo, moldável e com alto poder de integração tecidual, adequado para diversas áreas faciais. A combinação demonstrou ser segura, sem eventos adversos em mais de 250 aplicações clínicas. Além disso, o AH compensa a perda precoce de volume causada pela rápida absorção do gel carreador do CaHA, enquanto o efeito bioestimulador deste promove neocolagênese de longo prazo.
Em outro estudo, Fakih-Gomez e Kadouch (2021) relataram melhora significativa na pontuação da Merz Aesthetics Scale® para linha da mandíbula (CR-MASJ), com 100% dos pacientes apresentando melhora ≥1 ponto aos 3 meses e 85% mantendo os resultados aos 12 meses. A segurança da técnica foi reforçada pela ausência de eventos adversos significativos durante o acompanhamento.
Embora estudos de caso relatem resultados satisfatórios e segurança aceitável, não há padronização da técnica, e a composição final pode variar de acordo com os produtos escolhidos, sua viscosidade e proporção de mistura. Isso impacta negativamente a previsibilidade clínica e levanta dúvidas sobre estabilidade, eficácia e segurança a longo prazo. Além disso, essa prática é considerada off-label, ou seja, fora das indicações aprovadas pelos fabricantes e pelas agências regulatórias, o que implica riscos ético-legais para o profissional que a realiza. Pesquisadores relatam que a ausência de padronização nas misturas manuais de AH com CaHA pode comprometer a estabilidade reológica e a segurança da formulação final (Casabona; Kaye, 2021).
Em síntese, embora estudos clínicos e relatos de caso demonstrem resultados satisfatórios, com alta taxa de segurança e durabilidade, a ausência de padronização e a prática fora das indicações aprovadas ainda são pontos de atenção. São necessárias mais pesquisas controladas para confirmar os benefícios e estabelecer diretrizes seguras e eficazes para o uso combinado de AH e CaHA.
2.6 Comparações entre HarmonyCa e a mistura manual
A principal diferença entre HarmonyCa e a mistura manual está na padronização e regulamentação. HarmonyCa oferece formulação validada cientificamente, composição controlada, estabilidade reológica e segurança testada em múltiplos estudos clínicos. Já a mistura manual, apesar de mostrar bons resultados clínicos em séries de casos, carece de estudos randomizados e é afetada pela variabilidade da técnica, produtos e proporções utilizados. O HarmonyCa também apresenta menor incidência de efeitos adversos quando comparado a outras formulações bioestimuladoras (como policaprolactona e ácido poli-L-láctico), o que reforça seu perfil de segurança superior.
3. Metodologia
3.1 Tipo de Estudo
Este trabalho consiste em uma pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória, com abordagem bibliográfica comparativa. A intenção é analisar e confrontar dados clínicos, técnicos e científicos sobre dois métodos de preenchimento dérmico: o produto industrializado HarmonyCa™ e a mistura manual de Ácido Hialurônico (AH) com Hidroxiapatita de Cálcio (CaHA).
3.2 Objetivo da Metodologia
A metodologia foi elaborada para identificar:
• As principais características técnicas e clínicas de cada abordagem;
• As evidências de eficácia e segurança disponíveis na literatura científica;
• As diferenças éticas, regulatórias e legais entre os métodos;
• As implicações práticas para os profissionais da saúde estética.
3.3 Procedimentos Metodológicos
A pesquisa foi baseada em levantamento bibliográfico de artigos científicos, ensaios clínicos, revisões sistemáticas, estudos de caso e literatura técnica de fabricantes.
Foram utilizados os seguintes critérios:
Bases de dados consultadas: PubMed, Scopus, ScienceDirect, Google Scholar, SciELO, além de documentos enviados pela indústria (como o dossiê da AbbVie).
Palavras-chave utilizadas: “HArmonyCa”, “ácido hialurônico”, “hidroxiapatita de cálcio”, “preenchedores dérmicos”, “mistura manual”, “rejuvenescimento facial”, “estímulo de colágeno”, “bioestimulador”, “off-label filler”.
Idioma: Artigos em português e inglês.
Período de publicação: De 2015 a 2024, priorizando os mais recentes.
Critérios de inclusão: Estudos que abordam uso clínico, eficácia, segurança ou comparações entre HarmonyCa e mistura manual de AH+CaHA.
Critérios de exclusão: Estudos irrelevantes ao tema central, ou com foco em outras substâncias ou técnicas sem relação com AH e CaHA.
3.4 Limitações do Estudo
A principal limitação desta pesquisa é a escassez de estudos controlados randomizados comparando diretamente o HarmonyCa com mistura manual. A maior parte dos dados disponíveis sobre a mistura manual se baseia em relatos de caso e estudos observacionais, o que pode afetar a generalização dos resultados.
4. Discussão
4.1 Comparação Técnica e Clínica
A comparação entre o produto industrializado HarmonyCa™ e a mistura manual de ácido hialurônico (AH) com hidroxiapatita de cálcio (CaHA) evidencia diferenças significativas em diversos aspectos técnicos, clínicos e legais. Em termos de registro regulatório, o HarmonyCa™ é aprovado por agências como a ANVISA e a CE, o que garante sua segurança e eficácia. Por outro lado, a mistura manual é uma prática off-label, sem aprovação formal, nem padronização de formulação ou técnica.
Quanto à composição, o HarmonyCa™ apresenta uma solução pronta para uso contendo AH reticulado a 20 mg/mL e CaHA em concentração de 55,7%, com distribuição homogênea e controlada. Já a mistura manual é realizada manualmente com proporções variáveis, geralmente utilizando-se 1 mL de AH e 1,5 mL de CaHA, e alguns autores acrescentam a lidocaína, geralmente numa quantidade de 0,5 ml a 1,5 ml, essa mistura pode comprometer a consistência do produto final.
Em relação à padronização reológica, o produto industrializado possui estabilidade garantida pelo fabricante, enquanto a mistura manual carece de uniformidade, sendo altamente dependente da técnica utilizada e das marcas dos insumos. O mecanismo de ação de ambos é similar em teoria —promovendo efeito imediato pelo AH e estímulo colagênico pela CaHA —, porém a eficácia e estabilidade da mistura manual são inconsistentes.
Os estudos clínicos reforçam ainda mais a superioridade do HarmonyCa™, que foi avaliado em pesquisas prospectivas, retrospectivas e multicêntricas, totalizando mais de 400 pacientes. Em contraste, a mistura manual conta apenas com relatos de caso e séries clínicas pequenas, sem estudos controlados. Quanto à segurança, o HarmonyCa™ apresenta baixíssima taxa de eventos adversos leves, sem complicações graves. A mistura manual é considerada bem tolerada, mas não há dados consistentes de longo prazo ou com amostragens amplas.
A durabilidade do HarmonyCa™ é estimada em até 12 meses, com efeito cumulativo decorrente da bioestimulação. Na mistura manual, o volume tende a se manter por cerca de 9 meses, com atuação limitada até o início da ação bioestimuladora do CaHA. No aspecto prático, o produto industrializado permite técnica padronizada com cânulas e volumes definidos por área, enquanto a mistura depende da experiência e julgamento técnico do profissional aplicador.
Por fim, os aspectos legais e éticos destacam-se como ponto crítico. O HarmonyCa™ conta com respaldo formal do fabricante e uso regulamentado. Já a mistura manual é de responsabilidade exclusiva do profissional, podendo configurar infração ética ou sanitária diante da ausência de registro e padronização normativa.
4.2 Discussão Crítica
A análise dos artigos mostra que o HarmonyCa™ se destaca por ser um produto industrialmente padronizado, seguro e eficaz, com efeitos clínicos bem documentados em múltiplos estudos. O produto associa a ação volumizadora imediata do AH à estimulação progressiva de colágeno promovida pelo CaHA, com resultados perceptíveis tanto no terço médio quanto inferior da face, incluindo melhora significativa na flacidez de papada e pescoço.
Em contrapartida, a mistura manual de AH com CaHA, apesar de proporcionar bons resultados estéticos imediatos e satisfação do paciente, carece de respaldo técnico normativo. A ausência de padronização compromete a previsibilidade clínica, e há risco de alterações reológicas indesejadas, conforme sugerido por análises com ultrassonografia em bolus e dispersão, segundo mostra os estudos de Casabona e Kaye (2021).
Outro ponto crítico é a segurança. Enquanto o HarmonyCa apresenta baixa incidência de efeitos adversos em estudos com centenas de pacientes, a mistura manual, embora aparentemente segura em estudos menores, não conta com validação em larga escala, o que representa um risco para o paciente e o profissional.
Do ponto de vista legal e ético, o uso de produtos fora de suas especificações registradas — como ocorre com a mistura manual — pode caracterizar infração sanitária ou exercício irregular da prática médica, especialmente se houver complicações. Segundo Bravo et al. (2023), a aplicação de HarmonyCa™ mostrou aumento significativo de volume e melhora estética mesmo após seis meses, com alta taxa de satisfação entre os pacientes tratados. Chang et al. (2020) demonstraram, em estudo com 25 pacientes, que a combinação de 1 mL de AH e 1,5 mL de CaHA promoveu boa estabilidade e satisfação clínica, embora sem controle rigoroso de variáveis como proporção e profundidade de aplicação. Como destacam Casabona e Kaye (2022), a modificação de dispositivos médicos, como a mistura de preenchedores injetáveis, pode implicar a necessidade de nova aprovação regulatória, especialmente em mercados como o europeu.
4.3 Perspectiva Profissional
A análise demonstra que o uso do HarmonyCa oferece maior respaldo técnico e jurídico, sendo mais indicado para práticas clínicas seguras e baseadas em evidências. A mistura manual, embora viável em mãos experientes, deve ser evitada na ausência de evidência robusta e respaldo normativo.
4.4 Análise Comparativa de Custo
Com base nos preços médios atualizados dos insumos, realizou-se uma análise comparativa do custo por aplicação entre o produto HarmonyCa™ e a mistura manual composta por ácido hialurônico (AH) e hidroxiapatita de cálcio (CaHA).
Considerou-se:
Preço do ácido hialurônico (Belotero® Volume, Merz Pharmaceutical Suiça, 1 mL) - A escolha do AH citado, foi pelo fato de o encontrarmos sendo usado pelos autores, nos principais trabalhos pesquisados sobre a mistura.
Preço da hidroxiapatita de cálcio ( Radiesse® Duo; Merz Pharmaceuticals USA, 1,5 ml) - A escolha do Radiesse®, foi pelo fato de o encontrarmos sendo usado pelos autores nos principais trabalhos pesquisados sobre a mistura.
Materiais adicionais para a mistura manual: Preço médio do mercado, já que os autores não especificavam marcas + 2 seringas de 3ml tipo luer-lock + 1 conector tipo luer-lock (3 vias, mais facilmente encontrado no mercado interno) + 1,5 ml de ácido clorídrico de lidocaína 2% sem vasoconstrictor (o uso da lidocaína não segue nenhum protocolo de quantidade nos artigos, até mesmo há autores que não relatam o uso)
Preço do HarmonyCa™ (Panaxia Ltd Israel 2,5 mL, com dois frascos de 1,25 ml)
Embora a mistura manual aparente ser mais econômica, essa diferença de custo não considera fatores como a ausência de padronização, riscos técnicos e maior responsabilidade legal. O HarmonyCa™, apesar do custo ligeiramente superior, oferece formulação estável, segurança comprovada e aprovação regulatória.
4.5 Comparação de Carga Bioestimuladora (CaHA)
Um fator técnico relevante na comparação entre o produto HarmonyCa™ e a mistura manual é a quantidade de hidroxiapatita de cálcio (CaHA) presente em cada preparação. O HarmonyCa™ possui uma concentração de 55,7% de CaHA em um volume total de 2,5 mL, o que equivale a aproximadamente 1,39 g de CaHA. Por outro lado, a mistura manual geralmente utiliza 1,5 mL de Radiesse, cuja concentração de CaHA é de 30%, o que representa cerca de 0,45 g de CaHA.
Portanto, o HarmonyCa™ contém aproximadamente o triplo de CaHA em comparação com a mistura manual, o que pode resultar em maior efeito bioestimulador e durabilidade clínica. Além disso, o produto industrializado mantém estabilidade e distribuição homogênea das partículas, o que não é garantido na mistura manual.
5. Conclusão
O presente trabalho teve como objetivo comparar o uso do preenchedor híbrido industrializado HarmonyCa™ com a prática da mistura manual de Ácido Hialurônico (AH) e Hidroxiapatita de Cálcio (CaHA), avaliando aspectos como eficácia clínica, segurança, custo, padronização e implicações legais.
Com base na literatura científica analisada, conclui-se que o HarmonyCa™ representa uma alternativa mais segura, eficaz e regulamentada, oferecendo efeitos imediatos e duradouros por meio da ação sinérgica entre o AH e o CaHA. O produto apresenta padronização de sua composição, estabilidade reológica comprovada, estudos clínicos com grandes amostras e baixíssimo índice de eventos adversos. Além disso, seu uso segue as normas das agências regulatórias, o que proporciona maior respaldo ético e legal ao profissional.
Já a mistura manual, embora clinicamente eficaz e bem tolerada , carece de padronização, validação científica robusta e aprovação regulatória. Essa ausência de controle técnico e legal representa um risco potencial tanto para o paciente quanto para o profissional que realiza o procedimento. A técnica depende fortemente da habilidade do aplicador, sendo, portanto, menos previsível e mais sujeita a variações de resultado e segurança.
Diante disso, recomenda-se o uso de produtos industrializados como o HarmonyCa™, especialmente quando se busca segurança, eficácia comprovada e respaldo técnico-científico. A mistura manual deve ser evitada até que haja evidências clínicas e normativas suficientes que garantam sua reprodutibilidade e segurança. Além disso, a análise econômica e técnica mostra que, embora a mistura manual apresente menor custo imediato por aplicação, essa diferença não compensa os riscos técnicos, éticos e a ausência de padronização. Outro fator determinante é a carga bioestimuladora: o HarmonyCa™ apresenta aproximadamente 1,39 g de CaHA em sua formulação, enquanto a mistura manual contém cerca de 0,45 g — o que representa quase o triplo de carga ativa no produto industrializado. Essa superioridade em concentração de CaHA contribui significativamente para um efeito bioestimulador mais duradouro e eficaz.
5.1 Limitações do Estudo
Este estudo foi de natureza bibliográfica, portanto não envolveu pesquisa clínica direta. A escassez de estudos comparativos controlados entre HarmonyCa e misturas manual limita a generalização dos resultados. Além disso, os dados sobre a mistura manual se concentram em relatos de caso e séries clínicas com amostras reduzidas.
5.2 Sugestões para Trabalhos Futuros
• Realização de ensaios clínicos comparativos entre HarmonyCa e misturas manuais padronizadas;
• Estudos que avaliem a reologia, estabilidade e bioestimulação das misturas artesanais;
• Investigações sobre a percepção ética e legal de profissionais da área estética quanto ao uso de
técnicas off-label;
• Desenvolvimento de novos produtos híbridos com composição flexível, permitindo adaptações seguras às necessidades individuais dos pacientes.
Referências
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