Parmentier já tinha vivido o suficiente para entender que limitar a liberdade de um ser humano já seria o suficiente para transformar algo. Quem diabos é Parmentier? Antoine-Augustin Parmentier (1737–1813) foi um farmacêutico e agrônomo militar francês que ficou mundialmente conhecido por fazer a batata, que era um alimento que pela crença popular poderia causar lepra, em um alimento extremamente valioso e exclusivo.
Como? Ele não sabia o nome disso, mas foi através do rebranding!!
Parmentier durante a guerra se alimentou somente de purê de batatas e percebeu que era uma opção viável e saborosa de alimentação para a população e que poderia ajudar a conter a fome no país. Então convenceu o Rei da França a cultivar batatas sob a supervisão de guardas armados, o que fez com que a população entendesse esse gesto como a necessidade de proteção de algo muito valioso. E isso fez com que a população começasse a roubar as batatas acreditando ser algo importante. E foi assim, através da psicologia reversa que Parmentier popularizou a batata em toda a França.
O impacto foi tão grande que Parmentier criou um legado culinário: até hoje, pratos clássicos com batata carregam seu nome, como o Hachis Parmentier e o Potage Parmentier.
Pode não parecer, porque começamos falando de batatas, mas este texto é para falarmos de PLLA, PLLA-SCA ou tecnicamente conhecido como ácido poli-l-lático.
Na verdade, o início de nossa conversa foi sobre REBRANDING e não sobre batatas.
Se existe um REbranding, existe um branding, certo?
Branding (Construção de Marca): Não é apenas o logo. É a promessa e o conjunto de sentimentos que o consumidor tem ao ouvir o nome.
Rebranding (Reposicionamento): É o processo de mudar a identidade, o nome ou a “história” de um produto. Na indústria, o rebranding raramente é feito porque o produto é ruim; ele é feito porque o mercado mudou.
Mas por que uma empresa se preocuparia em investir tanto “dindin” para repaginar um produto já consolidado? A resposta é puramente estratégica. Esse movimento é útil quando se precisa reforçar diferenciais perante a concorrência, reafirmar a exclusividade de uma tecnologia ou alinhar o produto a novas tendências de mercado — como a atual era da “regeneração”. Além disso, o rebranding funciona para redirecionar o público-alvo, validar novas descobertas de utilização ou simplesmente ajustar o posicionamento do item dentro do próprio portfólio em expansão. No fim das contas, o importante é notar que o objetivo raramente é alterar a fórmula; o foco é transformar a percepção sobre o produto, e não o produto em si.
Tivemos recentemente um caso muito emblemático sobre esse tema e que ainda deve estar fresco na memória de muitos: o caso Skinvive da Allergan® que passou por uma mudança de “gênero”. Antes de se chamar Skinvive, o produto já existia desde 2017 no mercado nacional e internacional (Europa, Canadá e Brasil) com o nome de Juvéderm® Volite.
Alguns fatores do mercado atual podem ter impulsionado esse rebranding:
O primeiro deles é que atualmente existe uma resistência, por parte dos pacientes, no que diz respeito aos preenchedores à base de ácido hialurônico pelo receio de excesso de volume. Nesse cenário, o nome original “Juvéderm Volite” poderia ser um obstáculo, pois sua fonética sugere ‘volume leve’ (Vol + Lite), o que já seria o bastante para acionar o gatilho do medo em quem busca apenas qualidade de pele, mas sem volume.
O segundo fator poderia ser a barreira terminológica. O termo “Skinbooster” é uma marca registrada da concorrente Galderma e já remete automaticamente a tratamento de pele e não necessariamente ao aumento de volume. Em vez de tentar brigar pelo termo “Skinbooster”, a Allergan desenvolveu seu próprio conceito para não fortalecer a concorrência: HA Microdroplet Technology. E aqui nasce o Skinvive™.
Embora médicos na Europa e no Brasil já utilizassem o Volite há seis anos, a mudança global realmente aconteceu em maio de 2023, com a aprovação do FDA. A estratégia foi reposicioná-lo como algo “novo” e “revolucionário”: não apenas como um hidratante, mas um injetável de microgotas que melhora a qualidade e o brilho sem alterar a estrutura facial.
Então veja que o produto continua sendo exatamente o mesmo, nada mudou em sua composição mas ao mudar o nome para Skinvive, em uma tradução livre “Pele Viva”, a mensagem muda de “dar volume” para “dar brilho e hidratação”.
Como eu já tinha adiantado, embora eu nem tenha começado a falar dele ainda, esse texto definitivamente é sobre o PLLA. E aqui começamos a parte mais interessante e polêmica:
A Galderma tenta dar um “Ganso” na Concorrência.
Por um motivo bem menos “nobre” do que o praticado pela Allergan® com o objetivo de eliminar qualquer mal-entendimento que o nome do produto pudesse causar, a Galderma também vem fazendo um rebranding do Sculptra® recentemente, mais precisamente desde 2023.
E o motivo talvez esteja mais relacionado à estratégia do “ganso” do que à melhoria de fato. GANSO?
Se você estiver pensando em parar de ler o texto porque aparentemente ele não vai levar a lugar nenhum, me dê um voto de confiança. Você vai aprender alguma coisa com este texto, prometo!!
O Ganso
O mercado de vodkas era dominado pela Absolut até Sidney Frank lançar a Grey Goose. Sem qualquer mudança revolucionária na destilação que justificasse o abismo de preço, ele decidiu que ela custaria o dobro da concorrente. Frank desenhou uma garrafa mais alta para que ela não coubesse nas prateleiras baixas dos bares; ela precisava ficar no topo, na visão do cliente. Ao criar esse branding de “Top Shelf” (Prateleira de Cima), ele elevou a percepção de valor do produto apenas pelo posicionamento físico e de preço.
A Galderma “aumentou o tamanho da sua garrafa” passando a chamar o PLLA, conhecido de sempre, de PLLA-SCA, apenas com o objetivo de tentar proteger sua hegemonia. Zero benefício extra e zero melhoria.
A mudança de nomenclatura do “Sculptra® - PLLA” para “Sculptra® - PLLA-SCA” (Ácido Poli-L-Láctico - Sculptra Collagen Activator) foi oficializada pela Galderma em abril de 2023, coincidindo com o anúncio da aprovação do FDA para uma nova indicação do produto: a correção de rugas finas e linhas na região das bochechas. O termo PLLA-SCA passa, então, a ser o padrão acadêmico para se referir ao Sculptra, separando-o de “outras formulações de PLLA” que podem diferir na integração tecidual e no comportamento de degradação.
Criar uma nova sigla (PLLA-SCA) representa uma “tecnologia exclusiva”. E aqui é onde você tira o Sculptra das prateleiras mais baixas ( “PLLAs comuns”) e o coloca na “Top Shelf” onde ele reinará sozinho.
Além do que as empresas adoram fisgar os profissionais mais desavisados, que vão interpretar essas letras adicionadas (SCA), como “tendo algo a mais” do que outras marcas e até mesmo sendo uma evolução do próprio produto, causando um efeito psicológico de superioridade percebida.
Por que a Galderma mudou a sigla para PLLA-SCA?
A mudança estratégica pode ter envolvido dois objetivos:
Diferenciação de Mercado: Com o surgimento de novos bioestimuladores de PLLA no mercado, ele deixou de significar “tecnologia exclusiva da Galderma” e passou a ser uma commodity, ou seja, passou a ser visto pelo mercado como uma matéria-prima comum, que qualquer laboratório pode fabricar. E por isso a Galderma precisava destacar a exclusividade de sua fórmula e surgiram as letras “SCA” (Sculptra Collagen Activator), para reforçar que nem todo PLLA é igual ao Sculptra.
A ideia é reafirmar que a vasta literatura sobre o uso do PLLA na estética é referente ao Sculptra especificamente, para que a concorrência não se aproprie de estudos feitos com o Sculptra para comprovar efetividade do seu produto. E isso é tão evidente que é comum encontrar revisões sistemáticas de 2023 até 2026 citando artigos de 2012 como se lá já estivesse citado o PLLA-SCA, e não somente PLLA. A nomenclatura “SCA” foi aplicada retroativamente nas citações destes artigos mais antigos para alinhar ao novo padrão da marca. A primeira referência que encontrei de forma oficial (pois o profissional faz parte do time de speakers da Galderma) que explica o que seriam, de fato, as letras “SCA” está nesse link, que voce pode ler na íntegra.Destaque ao Mecanismo de Ação: A sigla enfatiza o papel do produto como um Ativador de Colágeno (SCA). Ela reforça a ideia de que o Sculptra é um tratamento “regenerativo” que estimula a produção natural de colágeno pelo próprio organismo.
Mas até aqui, tudo bem por mim. O sistema da economia e dos negócios funciona assim e nós já sabemos. Mas o rebranding passou a ser abusivo, na minha opinião, quando os profissionais (curiosamente patrocinados pela Galderma) tentaram alavancar esse reposicionamento encontrando uma nova aplicabilidade para o Sculptra.
Aplicabilidade essa, que permitiria definir finalmente, com maior exatidão, em que situação você deveria indicar o uso do bioestimulador à base de PLLA (Sculptra®) e quando deveria indicar o uso do bioestimulador à base de CaHA (Radiesse®). Conclusão essa que, em cerca de 15 anos de estudos de ambos os produtos, não foi possível deduzir com clareza, mas agora com essa “nova aplicabilidade”, isso foi possível. #sqn
DO QUE ESTOU FALANDO? ESTÃO DIZENDO POR AÍ QUE O SCULPTRA INDUZ A ADIPOGÊNESE. SERÁ? (owww trend idiota essa e que deixa todo mundo parecendo idiota …Meu Deus!!!)
Confesso que é difícil decidir o que é mais desesperador: a publicação de artigos que distorcem o mecanismo de ação do PLLA ao afirmarem que ele induz a adipogênese e é “não-inflamatório”, ou a aceitação, sem qualquer filtro crítico, dessas teses por profissionais e professores que as utilizam como suporte científico. Para expor e demonstrar o tamanho da minha indignação, vou dissecar três ou quatro estudos centrais que tentam justificar essa nova aplicabilidade. Na sequência, vou deixar um quadro demonstrativo que, sob uma mínima leitura atenta aos artigos, nenhum dos trabalhos atuais resiste a um escrutínio.
PS: Preferi usar a palavra “escrutínio” em vez de “análise minuciosa”, pois combina mais com a palavra escrota.
Enquanto eu escrevia este texto, uma colega extremamente perspicaz, a Dra. Juliana Vertamatti, me trouxe um questionamento de bastidor:
“Tita, será que essa narrativa da adipogênese não é o par perfeito para o “boom” das canetas emagrecedoras?”
Faz todo o sentido. Vivemos a era do “Ozempic Face” (aquela lipoatrofia facial severa pós-emagrecimento rápido). Raciocinem comigo: embora o Sculptra® tenha registro para tratar lipoatrofia desde 2004, aquele selo foi concedido para uma condição médica específica (HIV). Tentar migrar essa mesma promessa biológica para o grande público da estética atual — que busca o tratamento por uma escolha de vaidade ou estilo de vida (lifestyle), e não por uma patologia — seria um movimento arriscado perante os órgãos de fiscalização.
Afinal, seria bem problemático para uma multinacional começar a responder por alegações científicas sem comprovação ou por induzir o mercado a um erro de interpretação biológica, não acha?
É aí que entra a estratégia ardilosa: a empresa “planta a semente” da adipogênese através de estudos patrocinados e deixa a cargo dos clínicos e divulgadores disseminarem a informação “ao vento”. Assim, a marca se beneficia desse novo e gigantesco nicho de mercado sem precisar assinar embaixo de uma promessa que a histologia em humanos ainda não sustenta. É o lucro garantido, sem o peso da responsabilidade direta. Genial ou assustador? Talvez os dois.
Waibel J, Ziegler M, Nguyen TQ, Le JHTD, Qureshi A, Widgerow A, Meckfessel M. Comparative Bulk RNA-Seq Analysis of Poly-l-Lactic Acid Versus Calcium Hydroxylapatite Reveals a Novel, Adipocyte-Mediated Regenerative Mechanism of Action Unique to PLLA. Dermatol Surg. 2024 Nov 1;50(11S):S166-S171.
Para começar, dos sete autores, seis são funcionários diretos da Galderma e uma é consultora e palestrante da marca.
O estudo afirma ter descoberto um “mecanismo mediado por adipócitos” porque detectou a presença de RNA mensageiro (mRNA) de genes relacionados à adipogênese. Mas precisamos salientar que a presença de mRNA indica apenas que o gene foi “transcrito”, não que a proteína foi produzida ou que a célula (adipócito) foi criada. E mais curioso ainda é que o estudo não apresenta histologia nenhuma mostrando neoadipogênese. Além disso, enfatizam que não foram feitas biópsias nem da derme profunda, e nem da gordura subcutânea, deixando a conclusão a cargo de terem detectado genes de “gordura dérmica” (dWAT), que é um substituto MUITO fraco da biópsia para sustentar a tese de que o produto regenera o volume adiposo facial.
Portanto, a afirmação do título é muito mais uma inferência ou suposição teórica, do que uma prova factual. Além disso, o trabalho é tão sem pé nem cabeça que ele mostra que a CaHA causa uma inflamação “negativa” que prejudica a regeneração, enquanto o PLLA-SCA causa uma inflamação “regenerativa”. Isso, além de contrariar toda a literatura clássica de biomateriais, usa como referência para se justificar um artigo produzido pelo próprio autor e que sequer foi publicado ainda (isso chama citação circular).
Ter coragem de afirmar algo assim com embasamentos tão incoerentes e transformar isso em “Regeneração de Gordura Única do Sculptra”, eu diria que é um verdadeiro salto acrobático do marketing.
Injectable Poly-L-Lactic Acid (PLLA-SCA™) as a Versatile Treatment in Current Aesthetic Medicine: Expert Recommendations Based on Italian Clinical Experience Gregorio, C.D.; Leporati, M.; Luni, M.; Rossati, L. Cosmetics2025,12,264.
Este é um consenso - considerado tecnicamente como uma opinião de especialista ou mais popularmente comparado a uma conversa de “boteco” entre colegas. Nesse caso, a situação é ainda mais crítica, pois todos os profissionais são speakers da marca e, no trabalho, deixaram claro que nem sequer utilizaram o método Delphi (um processo rigoroso e anônimo para evitar que um especialista influencie o outro).
E, como se não bastasse, dos dois artigos que eles usam para citar a adipogênese pelo PLLA, um é este trabalho que eu acabei de destrinchar com vocês (Waibel, 2024) e o outro (Zhu et al., 2023) foi feito em fibroblastos cultivados in vitro. Creio que nem preciso mencionar que fibroblasto não é adipócito, preciso? Usar um estudo de cultura de células de pele para sugerir regeneração de gordura em humanos é uma extrapolação científica irresponsável ou enviesamento seletivo deliberado?
Há um outro artigo citado por este trabalho, muito usado quando o assunto é a capacidade adipogênica do PLLA, que é o Zubair et al., 2024 (Ref.39). Este trabalho sugere haver adipogênese nos glúteos com o uso do PLLA. Mas o mais vergonhoso é que, embora o resumo afirme que o PLLA pode induzir a adipogênese, nos resultados os autores afirmam textualmente que não houve diferença no número nem no tamanho dos adipócitos.
Ou seja: se o número de células não aumentou e o tamanho delas também não, não houve adipogênese, certo?
No entanto, os autores ignoram o próprio dado histológico negativo para concluir, no Abstract, que o produto promove adipogênese. É fato que eles encontraram, através da análise de ultrassom, um aumento de 27% na de espessura da camada adiposa; mas, ao somar esse achado aos outros mencionados, é fácil concluir que esse aumento de volume se deve, provavelmente, mais ao aumento de colágeno ou edema do que a novas células de gordura. Até porque o ultrassom mede espessura, mas não distingue perfeitamente tecido adiposo de edema ou fibrose, por exemplo.
Todos os outros artigos que separei são semelhantes: limitações importantes que inviabilizam completamente a hipótese de que o PLLA induza a adipogênese. O percebo com a leitura destes artigos é o marketing tentando “limpar” a ideia de o PLLA ser um material mais inflamatório que outros bioestimuladores, traduzindo isso para uma inflamação “regenerativa” que até induziria a adipogênese. Pois, afinal, não seria possível estimular um crescimento celular se o PLLA não mantivesse tudo o mais natural e biológico possível, não é?
SERÁ ESTRATÉGIA MESMO? Eu tenho uma hipótese:
Com tantos bioestimuladores surgindo no mercado e o Sculptra® se mantendo o mesmo, a única forma de manter o preço e a exclusividade é inventar uma função que o concorrente (Radiesse ou PLLAs genéricos) supostamente não tem; e a “bola da vez” escolhida foi a adipogênese. (Curiosamente todos os artigos que trazem esse contexto do Sculptra® induzir a adipogênese começou despois de 2023, com o início do posicionamento de rebranding)
E, para finalizar, eu queria mostrar mais um artigo científico:
Durante minha pesquisa, me deparei com uma revisão sistemática INDEPENDENTE. Aí me animei, pois imaginei que seria uma visão mais honesta. Mas logo descobri que os autores eram também da indústria. Eram independentes da Galderma, mas tinham ligação direta com a LIBON Inc., uma empresa que fabrica/distribui preenchedores de PLLA na Coreia; portanto, também tinham interesse na positividade dos resultados. Além disso, quando revisões sistemáticas não fazem uma seleção de qualidade literária, isso reflete em um artigo ruim e sem qualquer validade.
Neste trabalho - Lee, K.W.A.; Kim, H.; Song, J.K.; Sydorchuk, O.; Ka Fai, W.; Rosellini, I.; Kim, H.; Lau, K.H.; Gold, M.H.; Yi, K. Injectable Biostimulator in Adipose Tissue: An Update and Literature Review. Sci. Pharm. 2025, 93, 62. https://doi.org/10.3390/scipharm93040062 - a audácia chegou ao ponto de fabricar evidências. Citam trabalhos como o Mazzuco et al. [40], afirmando a comprovação da “atividade de adipócitos”, quando na verdade, esse estudo originalmente era puramente clínico. Estão “colocando palavras na boca” de pesquisadores sérios para sustentar uma tese que a ciência independente desmente.
E falando em ciência independente, olha como são as coisas. Esse trabalho - Jin W, Chen G, Chen W, Qiao G, Deng Y, Li K, Cai W. Poly-L-Lactic Acid Reduces the Volume of Dermal Adipose Tissue Through its Metabolite Lactate. Aesthetic Plast Surg. 2024 Dec;48(23):5136-5146. doi: 10.1007/s00266-024-04265-x. Epub 2024 Jul 26. PMID: 39060798 - é realmente um trabalho independente e parece ser ciência pura de bancada. E sabe o que ele basicamente diz? Apesar de terem sido realizados testes in vitro e em camundongos, o estudo demonstra que o PLLA não produziu qualquer diferença na gordura subcutânea e que, na gordura dérmica, a resposta seria a de reduzir o volume de gordura, e não aumentar. Curiosamente, esse artigo é ignorado por todos os trabalhos patrocinados pela Galderma; ele nem entra na discussão. Suspeito!
CONCLUINDO
No fim das contas, estamos diante de um espetáculo de ilusionismo acadêmico. O PLLA-SCA é o mesmo Sculptra® que conhecemos e respeitamos há décadas como um ótimo bioestimulador de colágeno. No entanto, para justificar sua posição na “Top Shelf” em um mercado saturado, a indústria decidiu que precisava nos vender o milagre da multiplicação dos adipócitos.
A máxima que tentam construir — de que o PLLA dá estrutura (gordura) e a CaHA trata a flacidez (colágeno) — é uma construção puramente comercial, sem lastro na histologia humana. Quando excluímos o que é resultado de “ciência do marketing” e analisamos o que é resultado de “ciência real e independente”, o que sobra é a verdade: o PLLA é um excelente material inflamatório que gera colágeno por reação de corpo estranho. E ponto!
A narrativa da adipogênese está supostamente sendo “empurrada” para dentro da literatura através de o que chamei de alucinações bibliográficas.
Rebranding tem limites. E o limite deve ser sempre o respeito à fisiologia e, PRINCIPALMENTE, à inteligência de quem segura a cânula.
Conteúdo complementar: A Construção da Narrativa "PLLA-SCA e Adipogênese"


