Vale a pena investir em agulhas de alta durabilidade acopladas a seringas avulsas, ou o uso de seringas pré-agulhadas (como as de insulina) é a melhor opção?
Para responder a essa questão, é necessário analisar sob a perspectiva do desperdício do medicamento.
Muitos profissionais são instruídos a utilizar uma única agulha de alta performance — como a agulha de Lebel, que teoricamente suportaria até 50 perfurações sem perder o fio de corte — para realizar a aplicação em todo o rosto do paciente. A justificativa seria a economia de material e a redução da dor, uma vez que a agulha não machucaria o tecido mesmo após várias punções.
Sob um ponto de vista superficial, essa parece ser uma escolha econômica e inteligente. No entanto, essa lógica ignora o fator mais oneroso do tratamento: a perda inerente da toxina botulínica no interior desses dispositivos.
Testes práticos de aspiração demonstram que, mesmo quando o êmbolo chega ao final, uma quantidade significativa de líquido permanece retida em dois locais distintos: na ponta da seringa regular (mesmo nas supostamente rotuladas como “sem resíduo”) e, principalmente, dentro do canhão da agulha.
A perda na ponta da seringa avulsa pode chegar a quase 0,05 ml. Quando somamos a isso o volume que fica preso no canhão da agulha, observa-se um desperdício adicional de aproximadamente 0,09 ml (ou 0,08 ml).
Em uma reconstituição seca, esse volume desperdiçado tem um impacto financeiro alto: considerando o valor por unidade da toxina botulínica, esse líquido retido no canhão e na ponta da seringa pode representar uma perda de sessenta a setenta reais por paciente.
A solução mais eficaz é o uso de seringas pré-agulhadas, tradicionalmente utilizadas para insulina. Nessas seringas, a agulha é fundida ao corpo do cilindro, o que elimina o espaço morto do canhão. A perda de material nesse tipo de instrumental é virtualmente zero, limitando-se apenas ao volume microscópico que preenche o lúmen (o canal interno) da própria agulha.










