Embora essa estrutura anatômica esteja presente em todos os pacientes, variando apenas em seu grau de evidência, sua localização exata costuma gerar dúvidas, pois as referências visuais da região não são facilmente identificáveis a olho nu.
Primeiro precisamos compreender a sua origem fisiológica, um tema que frequentemente é alvo de confusões na literatura e até mesmo em salas de aula. Existe uma teoria equivocada de que o jowl seria formado pela ptose (queda) do corpo adiposo da bochecha, popularmente conhecido como Bola de Bichat.
Essa afirmação é anatomicamente inviável. A Bola de Bichat é um compartimento de gordura profundo, e a estrutura facial não permite a migração física de uma gordura profunda para um plano superficial. Além disso, o envelhecimento atua de forma distinta nesses tecidos: enquanto os compartimentos profundos sofrem perda de volume com o passar dos anos, os compartimentos superficiais sofrem um aumento de volume associado à flacidez tecidual e ligamentar.
Portanto, o jowl é formado exclusivamente pelo acúmulo de gordura do compartimento superficial (dividido em superior e inferior). Esse acúmulo ocorre devido à modificação e à flexibilidade dos ligamentos faciais, especialmente o estiramento do septo mandibular, que acaba acomodando essa gordura superficial e criando o aspecto de “rosto derretido”. O sucesso de procedimentos como a lipoaspiração mecânica cervical e facial, que atuam no plano superficial, comprova essa dinâmica fisiológica.
Para que o profissional não atue “às cegas”, existe um traçado de mapeamento facial prático e altamente eficaz, baseado na intersecção de três linhas de referência fundamentais:
1. A Linha Basal: O primeiro traço deve conectar a base da inserção da orelha (lóbulo) diretamente até o sulco mentual.
2. A Linha do Masseter: O segundo passo é pedir ao paciente que cerre os dentes para delimitar o músculo masseter. A partir disso, traça-se uma linha reta que desce da comissura lateral do olho até a borda mais anterior do músculo masseter.
3. O Limite Anterior (Ligamento Mandibular): A terceira referência é a mais importante. Pede-se ao paciente que force um sorriso para demarcar a porção anterior. O limite do jowl é ditado pelo ligamento mandibular, uma estrutura extremamente aderida aos tecidos adjacentes. Para encontrar esse ligamento com as mãos, o profissional pode tracionar a pele da mandíbula; a região onde a pele distende livremente é o jowl, e o ponto exato onde a pele para de esticar, devido à forte adesão, é o ligamento mandibular. Anatomicamente, este ligamento encontra-se a uma distância média de 25 a 30 milímetros à frente da borda anterior do masseter.
Ao dominar esse mapeamento simples de três passos, o profissional garante a segurança do procedimento, respeitando a anatomia e entregando resultados de rejuvenescimento verdadeiramente harmônicos.












