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Sobra de Ácido Hialurônico: Risco ou Economia?

A Verdade Sobre Guardar o Preenchedor não utilizado

Uma das dúvidas mais recorrentes na rotina de harmonização facial é o que fazer com a seringa de ácido hialurônico que não foi utilizada por completo. A resposta oficial, presente na bula de qualquer preenchedor, é categórica: o produto é de uso único e deve ser descartado. No entanto, na prática clínica, a situação é mais complexa.

A primeira regra deveria ser a de que “ácido hialurônico e sobrou não combinam na mesma frase”. A quantidade de 1ml é, na verdade, muito pequena, e um profissional experiente consegue utilizar o volume total para otimizar o resultado do paciente, aplicando pequenas quantidades em áreas de suporte, como a região nasolabial ou as linhas de marionete, evitando assim o dilema do armazenamento.

Apesar disso, a ciência já investigou a segurança de guardar o produto. Alguns estudos mostram que seringas de ácido hialurônico, guardadas em geladeira por meses e até anos, não apresentaram crescimento bacteriano ou fúngico, sugerindo que o material em si não é facilmente contaminável.

Contudo, existe um fator crítico que muda todo o cenário: a aspiração. A técnica de aspirar antes de injetar, fundamental para a segurança do procedimento, pode contaminar o conteúdo da seringa ao puxar fluidos biológicos ou sangue para dentro dela. Se a aspiração foi realizada, o material restante deve ser considerado lixo biológico e descartado imediatamente, sem exceções.

Outros estudos corroboram esse risco, mostrando que, embora a probabilidade seja baixa, a contaminação pode ocorrer. Em uma análise, 5 de 36 seringas guardadas testaram positivo para a bactéria Streptococcus epidermidis. Além do risco interno, há também o perigo da contaminação cruzada, onde a parte externa da seringa, manuseada com luvas que tocaram o paciente, pode transferir microrganismos.

Portanto, a recomendação final é clara:

  1. O ideal é não guardar. Planeje o procedimento para utilizar a seringa inteira no mesmo paciente.

  2. Se for guardar, só o faça se a técnica não envolveu aspiração.

  3. Se ainda assim foi guardado, o material restante só pode ser usado no mesmo paciente. Jamais em outra pessoa.

  4. Ao guardar, remova a agulha ou cânula utilizada e a substitua por uma agulha nova e estéril para vedar a seringa, armazenando-a em geladeira.

Lembre-se: guardar o ácido hialurônico é assumir um risco.

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