O tratamento do melasma exige abordagens precisas na região da derme e epiderme, onde ocorre o depósito excessivo de melanina pelos melanócitos. O uso de agregados plaquetários, como o Plasma Rico em Plaquetas (PRP) e a Fibrina Rica em Plaquetas (PRF), apresenta-se como uma terapêutica biológica de baixíssimo custo e alta eficácia. Contudo, o sucesso clínico depende fundamentalmente da técnica de permeação escolhida para entregar esses ativos — sejam sintéticos ou biológicos — nas camadas corretas da pele.
A Importância da Espessura Dérmica e Epidérmica
Um fator crítico frequentemente negligenciado é a variação da espessura da derme e da epiderme ao longo da face. Essa variação interfere diretamente na capacidade de absorção de ativos em diferentes áreas. Para garantir uma terapêutica homogênea e evitar reações adversas ou estímulos inflamatórios desiguais, é mandatório que o dispositivo e a técnica de entrega sejam modelados de acordo com a espessura específica de cada região facial tratada.
Métodos de Permeação Transcutânea
Para transpor o estrato córneo e atingir a camada basal (onde se localizam os melanócitos), existem diferentes técnicas de entrega.
Eletropermeação de Ativos
A eletropermeação (ou eletroporação) utiliza uma corrente voltaica mínima, gerada por equipamentos como radiofrequência ou eletrocautério (em baixa potência), para provocar uma despolarização celular fisiológica. Isso causa a abertura temporária dos poros, permitindo a entrada do medicamento sem o uso de agulhas.
Preparo: A técnica exige a remoção prévia do estrato córneo, o que pode ser feito através de dermaplaning (uso cuidadoso de lâmina de bisturi) ou aplicação de ácido salicílico.
Fator Étnico: A densidade e o tamanho dos poros variam conforme a etnia (ex: indivíduos de etnia chinesa possuem poros menores e em menor densidade por cm², enquanto indianos, caucasianos e japoneses possuem poros maiores), o que afeta diretamente o nível de permeação.
Limitação Importante: Esta técnica não serve para materiais biológicos como o PRP/PRF. A eletropermeação suporta apenas moléculas pequenas, de 15 a 50 quilodaltons (geralmente sintéticas). O agregado plaquetário possui moléculas muito maiores e forma uma membrana que bloqueia a permeação por essa via.
Microagulhamento para Permeação de Ativos
É fundamental distinguir o microagulhamento para permeação de ativos do microagulhamento para indução de colágeno. No tratamento do melasma, o objetivo é a permeação.
Profundidade: O tamanho ideal da agulha é entre 0,25 mm e 0,5 mm. O objetivo é apenas romper a epiderme para alcançar a derme papilar.
Regra de Ouro: Não deve haver sangramento (”orvalho” de sangue). Se há sangramento, a pressão sanguínea expulsa o ativo (nada entra) e gera-se um processo inflamatório. A inflamação agrava severamente o melasma devido à agressão endotelial e liberação de citocinas.
Dispositivos: Equipamentos tipo Tattoo Pen (máquinas de tatuagem adaptadas) são superiores aos Derma Rollers ou Dermapens, pois permitem ao profissional um controle manual fino e imediato da profundidade em cada região do rosto, adaptando-se às variações de espessura da pele.
Mesoterapia e Intradermoterapia
A mesoterapia consiste em aplicar pequenas quantidades de medicamento exatamente no plano alvo. Para o melasma, a aplicação deve ser estritamente intradérmica (superficial).
Técnica com Agulha: Utiliza-se a ponta da agulha para formar pequenas pápulas na epiderme/derme, deixando a pele com aspecto de “pele de avestruz” temporariamente. É a técnica mais efetiva para tratar o melanócito, controlando a dose e o plano de aplicação. O sangramento superficial nesta técnica é aceitável, pois a droga já foi depositada sob a pele antes do vaso ser atingido.
Técnica com Cânula: Apesar de ser uma opção (ex: cânula 25G inserida justaposta à derme), é de difícil execução por conta da resistência do tecido e tende a depositar o material em um plano mais profundo (subcutâneo superficial). É mais indicada para estímulo de colágeno do que para o tratamento direto do melasma.
Agregados Plaquetários no Tratamento do Melasma
Os agregados plaquetários concentram os elementos figurados do sangue que interessam à regeneração e bloqueio de pigmentação: plaquetas, fibrinogênio e plasma, descartando hemácias (que podem pigmentar a pele pela hemossiderina) e leucócitos (que causam inflamação indesejada).













