Uma questão frequente: o realizar um preenchimento facial, a abertura lateral da cânula deve estar voltada para cima ou para baixo?
Primeiro diferenciar o comportamento das agulhas e das cânulas durante a aplicação:
As agulhas, por possuírem uma ponta cortante, são instrumentos precisos e diretos. Elas penetram exatamente onde o profissional as direciona, mas acabam atravessando e cortando todas as estruturas que estiverem em seu trajeto. Já as cânulas foram desenvolvidas para serem menos agressivas. Com sua ponta romba, elas deslizam pelos compartimentos de gordura superficiais ou profundos sem lesionar os tecidos, desde que manuseadas com a devida delicadeza. Diferente da agulha, a cânula afasta e divulsiona as estruturas para conseguir penetrar, buscando sempre o caminho de menor resistência.
Retroinjeção e o Preenchimento de Espaços
Quando utilizamos uma agulha, o material sai diretamente por sua extremidade final, de modo que o material injetado tende a ficar mais tensionado no interior no tecido.
Mas no caso da cânula, a abertura não se encontra na ponta, mas sim na sua lateral. Durante o movimento de tração contínua da retroinjeção, o material extruído vai, invariavelmente, preencher o túnel exato que a própria cânula abriu ao afastar os tecidos.
Portanto, para materiais de média ou alta viscosidade — como a grande maioria dos preenchedores faciais —, não faz a menor diferença se a abertura da cânula está voltada para cima ou para baixo. O preenchedor se acomodará no espaço recém-criado independentemente do direcionamento da saída.
Quando a Posição da Abertura Realmente Faz Diferença?
Uma exceção anatômica e física a essa regra: a viscosidade do produto. O direcionamento do orifício lateral da cânula passa a ter grande relevância técnica quando o profissional trabalha com substâncias líquidas ou preenchedores de baixíssima viscosidade.
Um exemplo clássico citado na prática é o uso do ácido deoxicólico para o tratamento da região submentoniana (papada) ou para o afinamento facial. Por ser essencialmente um líquido, o medicamento não se sustenta de forma sólida no túnel criado pela cânula; ele penetra no tecido. Nesses casos, se a abertura da cânula estiver voltada para baixo, apontando diretamente para a gordura alvo, o líquido penetrará imediatamente nessa estrutura com maior eficácia.
Vale ressaltar que a pressão exercida pelo profissional na seringa também influencia esse fenômeno. Injeções rápidas criam uma pressão que impulsiona o líquido no sentido da abertura, enquanto injeções lentas e delicadas minimizam esse efeito. Essa mesma lógica é válida ao utilizar preenchedores de baixíssima viscosidade no tratamento de áreas sensíveis, como a região das olheiras.
Resumindo: quando o objetivo é utilizar preenchedores tradicionais e viscosos para volumização, a preocupação com a orientação da cânula (para cima ou para baixo) não tem justificativa prática, pois o material preencherá o mesmo plano divulsionado. A atenção ao direcionamento do orifício deve ser reservada exclusivamente para o uso de esvaziadores de gordura e produtos líquidos, onde a física da dispersão dita o sucesso do tratamento.












